O que é inspiração?

Quando surge a frase bela, que espreme a ideia e tira dela o suco deleitoso;
Quando o pensamento sentimento salta, irrequieto, querendo pousar como gaivota ousada;
Quando a palavra ataca, como fera furiosa, faminta, sedenta, inevitável;
Quando o engasgo vem empurrando a pena, querendo desvirginar o papel em coito louco;
Quando a lágrima trêmula, temerosa, titubeia em cair, não querendo desbotar no papel o verbo ardente;
Quando o escritor é ser enlouquecido, anjo e/ou demônio furioso;
Quando o texto flui e você baba, encantado, você mesmo, e encantando à volta;
Quando a imagem incandescente queima folha e você diz, como Michelângelo: “Fala! Por que não falas?”
Quando você está girando o botão de sintonia fina de seu rádio interior e numa fração de segundos, milimétrica, nanônica, a onda é capitada, e surge vulcânica e luminosa a ideia, dentro de você.


Isto é inspiração!